CÁLCULO RENAL NA GESTAÇÃO - Clínica Ederson Biscotto
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01 ago CÁLCULO RENAL NA GESTAÇÃO

A nefrolitíase ou cálculo renal trata-se de uma doença comum que afeta cerca de 10% da população durante a vida. Na gestação apresenta-se como uma patologia com potencial razoável de complicação, tanto para o compartimento materno quanto para o fetal. A dor abdominal relacionada a essa condição se apresenta como a causa mais comum de internação obstétrica durante a gravidez.
A cólica renal apresenta uma prevalência variável de 1 em 244 a 1 em 2000 gestações. A sua incidência é semelhante entre mulheres gestantes e não gestantes, explicada pela duração fugaz do ciclo gravídico. Os cálculos no ureter são encontrados duas vezes mais frequentemente que os cálculos renais. Dentre os tipos de cálculos, destacam-se os formados por fosfato de cálcio como os mais prevalentes, ao contrário dos cálculos de oxalato de cálcio formados pelas pacientes não grávidas.
Fatores de Risco: cerca de 80 a 90% das gestantes acometidas por nefrolitíase apresentam-se no segundo e terceiro trimestres, com um risco 3 vezes maior em multíparas. Pacientes com história de doença renal e hipertensão arterial tem uma propensão maior à produção de cálculos (litogênese). Um fato curioso é que pacientes com história de nefrolitíase não apresentam risco adicional durante a gravidez (incidência de 24 a 30%).
Causas: o aumento do fluxo plasmático renal e da carga filtrada de cálcio, oxalato e ácido úrico são todos responsáveis pela formação de cálculo (litogênese) na gravidez. Os altos níveis de progesterona contribuem para a dilatação do músculo liso e redução no peristaltismo ureteral, facilitando a estase urinária.Existe ainda o fator compressivo representado pelo aumento do volume uterino.
Complicações: a nefrolítiase favorece à instalação de infecção do trato urinário na gravidez. Esta morbidade, por si, predispõe ao desencadeamento do trabalho de parto prematuro, amniorrexe prematura, parto prematuro, distúrbios hipertensivos, diabetes gestacional e aumento das taxas de parto abdominal.
Sintomas: dor abdominal consiste no sintoma mais comum, ocorrendo em 85 a 100% das pacientes. Náuseas e vômitos são achados inespecíficos com grau de apresentação variados. Hematúria ( sangue na urina) franca é flagrada em 15 a 30% dos casos e hematúria microscópica mostra-se presente em praticamente todas as pacientes (95-100%). Sintomas urinários como disúria ( ardor ao urinar) e piúria ( pús na urina) podem estar presentes, mesmo na ausência de uma infecção concomitante.
Diagnóstico: A Ultrassonografia do trato urinário constitui uma valiosa propedêutica para investigação da nefrolitíase, pelo seu baixo custo, elevada acessibilidade e por não utilizar radiação ionizante. Possui uma sensibilidade bastante variável (28,5 a 95%).
A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) utiliza ondas eletromagnéticas em lugar da radiação ionizante, sem efeitos nocivos para a gestante ou seu concepto. Quando a ultrassonografia não ajuda no diagnóstico correto de um problema do aparelho urinário, o passo seguinte é a realização de uma RNM. Segundo o Colégio Americano de Radiologia, as gestantes podem ser submetidas a este exame em qualquer fase da gravidez, no entanto, não é garantida uma segurança absoluta no primeiro trimestre, correspondendo a fase da organogênese fetal.
Segundo a literatura, a maioria dos cálculos ureterais sintomáticos durante a gravidez podem ser expelidos de forma espontânea, facilitado pela dilatação do trato urinário durante este período. É descrita uma taxa de 64 a 84% de resolução dos casos com terapia conservadora.Infelizmente, cerca de 15 a 30% das pacientes acabam necessitando de algum tipo de abordagem mais invasiva (uso de cateter duplo J,litotripsia por ureteroscopia ou nefrostomia nos casos de abcesso). As indicações de intervenção são baseadas nos seguintes critérios: dor intensa, obstrução de rim único, obstrução bilateral, função renal alterada, cálculo > 1cm, sepse e complicações obstétricas (ex: trabalho de parto prematuro ou pré-eclâmpsia).

CISTITE

Fonte: Protocolos de obstetrícia da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará / Francisco José Costa Eleutério… [et al.] (org). — Fortaleza: Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, 2014.

Dr. Ederson Biscotto
contato@clinicaedersonbiscotto.com.br