04 out BLUES PUERPERAL E DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Tristeza materna, Blues puerperal ou Baby blues constitui a manifestação psiquiátrica mais frequente do puerpério, acometendo cerca de 50 a 70% das puérperas. Apresenta–se como um estado depressivo brando, transitório, que aparece em geral nos primeiros dias do pós-parto, atingindo um pico em torno do quarto ou quinto dia. A resolução espontânea ocorre, no máximo, em duas semanas. Caracteriza-se por choro fácil, alterações do humor, comportamento hostil para com familiares e acompanhantes, perda da autoconfiança e sentimentos de incapacidade. Essas características são atribuídas às rápidas alterações nos níveis hormonais, ao estresse do parto e à conscientização da responsabilidade trazida pela maternidade.
Normalmente não há necessidade de nenhuma intervenção medicamentosa. A abordagem é feita no sentido de manter o suporte emocional, compreensão e auxílio nos cuidados com o recém-nascido.
Já a Depressão pós-parto atinge 10 a 15% das puérperas. Tem início dentro de três a seis meses após o parto e duração bastante variável, conforme a terapêutica instituída. Os sintomas associados a esse quadro incluem: perturbações do apetite e do sono, fadiga, sentimentos de desvalia ou culpa excessiva, perda de interesse pelas atividades habituais, redução da autoconfiança e da autoestima, ansiedade, choro fácil, pensamentos recorrentes de morte e ideação suicida, como também sentimentos de inadequação e rejeição ao recém–nascido. Evidências sugerem que a depressão pós-parto seja parte ou continuação da depressão iniciada na gestação.
O tratamento consiste no uso de medicamentos antidepressivos e a abordagem multiprofissional com o psiquiatra e psicólogo se faz necessária.

Fonte: Protocolos de obstetrícia da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará / Francisco José Costa Eleutério… [et al.] (org). — Fortaleza: Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, 2014.