ABORTO DE REPETIÇÃO: POR QUE OCORRE? - Clínica Ederson Biscotto
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09 maio ABORTO DE REPETIÇÃO: POR QUE OCORRE?

A gravidez é um evento onde a regra é a exceção: o concepto, que é constituído de 50% de carga genética do pai não pertencente ao corpo da mãe, não sofre a rejeição e evolui para o nascimento, cerca de 9 meses depois.

Embora todo o processo não esteja totalmente elucidado, isto ocorre graças à produção de anticorpos bloqueadores ( aloimunidade), fazendo com que o útero “aceite” a gestação como sendo dele próprio.

ANTIGENO:ANTICORPO
Entretanto, nem sempre esta “relação amorosa” entre carga genética materna e paterna” acaba bem: segundo o conceito clássico, aborto habitual ou de repetição consiste em 3 ou mais perdas gestacionais antes das 20 semanas de gravidez, ocorrendo em cerca de 1% dos casais.
Cerca de 50% dos casos a causa é desconhecida e no futuro , muitos problemas imunológicos serão mais bem compreendidos e tratados. O exame de anticorpos antissoro paterno ( Cross Match) e o seu tratamento ( imunização com linfócitos paternos) podem ser indicados nesta situação, embora não sejam  recomendados pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. Em casos selecionados, o uso de imunossupressores ( corticosteroides) poderá também  ser utilizado.

Para os outros 50% , destacamos as seguintes causas:
A) Anomalias cromossômicas: a maioria dos abortos espontâneos ( 60 a 80 % ) ocorre devido a um erro aleatório na recombinação dos cromossomos durante a formação do embrião, sendo os mais comuns, as trissomias 16 e 22 em 70% dos casos, principalmente quando houve mais de 4 perdas. Quando um dos pais possui uma alteração em seus cromossomos ( detectado através do exame de cariótipo), pode passá-lo para o embrião, causando abortos de repetição. Neste caso, o geneticista poderá avaliar a chance de se ter uma gestação normal. Nas mulheres acima de 40 anos, com a diminuição da qualidade genética de seus óvulos, as taxas de aborto podem atingir 30%.
B) Insuficiência lútea: a produção inadequada de progesterona pelo ovário nas primeiras semanas de gravidez acarreta um desenvolvimento anormal e morte do feto. A reposição deste hormônio logo após a fecundação pode evitar o aborto.
C) Diabetes descompensada e Obesidade: alterações metabólicas maternas levam a maiores riscos de defeitos do fechamento do tubo neural ( anencefalia, meningocele, dentre outros) por deficiência de ácido fólico e aumento da produção de radicais livres. O controle das doenças crônicas e a suplementação de folato na alimentação são muito importantes.
D) Trombofilias: são doenças que provocam aumento da coagulação sanguínea, gerando obstrução (trombose) dos vasos da placenta e posterior morte do embrião. São responsáveis por 3 a 15% dos casos. O Lúpus Eritematoso Sistêmico ( doença auto-imune) é um exemplo clássico e o uso de anticoagulantes se faz necessário.
E) Alterações uterinas: modificações na arquitetura do útero podem levar ao abortamento.

São elanomalias uterinas Aes: pólipos, miomas, aderências ( sinéquias), anomalias congênitas ( útero septado, bicorno, arqueado,unicorno, didelfo). A cirurgia por histeroscopia pode ser útil nesta situação.

A dilatação precoce do colo uterino ( incompetência istmocervical) pode ser uma causa de abortamento tardio, ocorrendo em torno de 16 semanas, necessitando intervenção cirúrgica neste caso ( por volta das 14 semanas da gestação).

Dr. Ederson Biscotto
contato@clinicaedersonbiscotto.com.br